Plano de saúde negou Lynparza (olaparibe): liminar

Atualização normativa 2025

Em 18 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal concluiu a ADI 7.265 (Tribunal Pleno, rel. Min. Luís Roberto Barroso) e firmou que o rol da ANS é taxativo mitigado. A cobertura de tratamento fora do rol é obrigatória quando presentes, ao mesmo tempo, cinco critérios, com base no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98 (incluído pela Lei 14.454/2022).

No mesmo alinhamento, o Órgão Especial do TJSP revogou, em 10/09/2025, as Súmulas 100 e 102. A proteção do paciente oncológico permanece, agora ancorada nos cinco critérios da ADI 7.265 e no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98. Este texto usa essa base atual.

Plano de saúde negou Lynparza (olaparibe)? Na quase totalidade dos casos a recusa é abusiva. O olaparibe tem registro sanitário ativo na Anvisa, e o tratamento oncológico prescrito costuma preencher os cinco critérios da ADI 7.265/STF que impõem a cobertura mesmo fora do rol. Com prescrição do oncologista e a negativa em mãos, é possível pedir tutela de urgência e, com a petição bem montada, a liminar sai em regra em 24 a 72 horas úteis, obrigando a operadora a custear o medicamento de imediato.

Cartela de comprimidos de Lynparza (olaparibe) sobre mesa de escritório de advocacia, representando a negativa de cobertura pelo plano de saúde
Lynparza (olaparibe): quando o plano nega, a recusa costuma ser abusiva. A base atual é a ADI 7.265/STF (rol taxativo mitigado) e o §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

Uma paciente com câncer de mama HER2-negativo e mutação germinativa no gene BRCA teve o olaparibe negado pela operadora. O argumento foi o de sempre: o medicamento não constaria do rol da ANS. Cenários assim chegam ao escritório quase toda semana. Paciente com câncer, prescrição de terapia-alvo pelo oncologista de confiança, e a operadora respondendo por escrito que o tratamento não tem cobertura. A carta de negativa costuma ter duas páginas de aparência técnica. Na maioria das vezes, é uma recusa juridicamente vazia.

Para o beneficiário cujo plano negou o Lynparza, seja para si ou para um familiar, vale a constatação: na quase totalidade dos cenários, a operadora está errada. A defesa dessa exata situação é rotina contenciosa do Belisário Maciel Advogados. A primeira recusa é quase um ritual administrativo, na aposta de que o beneficiário desista. Quando a ação é proposta com peças bem montadas, a tutela de urgência sai em 24 a 72 horas úteis. O resto do processo é desdobramento. O tratamento, esse, começa imediatamente. Para a moldura geral dos direitos do paciente oncológico diante da operadora, vale consultar o pilar sobre planos de saúde para pacientes com câncer.

Este texto é material técnico dirigido a pacientes e familiares que enfrentam um momento difícil e querem entender o terreno. Na sequência, o beneficiário encontra o que fazer nas primeiras 48 horas, para que serve o olaparibe e por que ele não é quimioterapia comum, por que cada argumento da operadora não para de pé, a base legal atual, o caminho da liminar e o prazo real, os documentos essenciais, o reembolso e o preço, o que diz a jurisprudência com número de processo conferível, e o que fazer se a operadora descumprir a decisão. Há link para contato no meio e no fim, sem pressa. O detalhamento dos valores por apresentação, com o teto oficial da CMED, está na análise sobre olaparibe (Lynparza): para que serve, preço e cobertura.

Se o plano negou o Lynparza agora: o que fazer nas primeiras 48 horas

A busca por este tema costuma ser urgente. Quem chega aqui em geral tem uma negativa fresca na mão e um calendário de tratamento correndo. Por isso, antes de qualquer explicação longa, a sequência acionável das primeiras horas:

  1. Exija a negativa por escrito. A operadora é obrigada a fornecer a recusa em documento (carta, e-mail, protocolo ou print do aplicativo). É peça essencial da ação. Se houver apenas negativa verbal, registre protocolo e data.
  2. Guarde a prescrição e o relatório do oncologista. São o coração do pedido. Sem indicação escrita, o caso perde força. No caso do olaparibe, o relatório costuma indicar a mutação BRCA e o tipo de câncer, o que reforça a prescrição.
  3. Não pague a caixa do próprio bolso sem orientação, se puder evitar. Quando o pagamento é inevitável, guarde todas as notas fiscais: elas viram pedido de reembolso depois.
  4. Procure um advogado com atuação em Direito Médico. A consulta inicial deve resultar em análise objetiva do caso e estimativa realista de prazo de liminar.
  5. Entenda o prazo. Com peça bem montada, a liminar costuma sair em 24 a 72 horas úteis, e o tratamento começa a partir dela.

Por que agir em dias, e não em semanas

Em oncologia, tempo é dose. Semanas perdidas significam progressão da doença e janela terapêutica fechando. A tutela de urgência existe exatamente para furar esse impasse e permitir o início do tratamento antes do julgamento do mérito. Por isso a orientação da banca ao paciente que chega assustado é direta: a negativa raramente é o fim da linha. Na maioria das vezes, ela é a abertura do processo, não o encerramento do direito.

Para que serve o olaparibe (Lynparza) e por que ele não é quimioterapia comum

Antes de discutir a negativa, vale entender o medicamento, porque é frequente a confusão sobre o que ele é. O olaparibe, vendido com a marca Lynparza, é um inibidor de PARP (poli[ADP-ribose] polimerase). Não é quimioterapia clássica: é uma terapia-alvo oral, em comprimidos, que age de forma dirigida sobre a célula tumoral. A enzima PARP participa do reparo do DNA. Em tumores com mutação no gene BRCA, deficientes no reparo por recombinação homóloga, inibir a PARP provoca o acúmulo de danos irreparáveis e a morte da célula cancerosa, um mecanismo conhecido como letalidade sintética.

Em bula aprovada no Brasil, o olaparibe é indicado sobretudo em cânceres associados à mutação BRCA: câncer de ovário (inclusive manutenção após resposta à quimioterapia à base de platina), câncer de mama HER2-negativo com mutação germinativa BRCA, adenocarcinoma de pâncreas metastático e câncer de próstata metastático resistente à castração. A posologia padrão é oral, em comprimidos de uso contínuo. Essa característica, a de ser um antineoplásico oral, é juridicamente relevante, como se verá adiante, porque reforça a cobertura obrigatória.

Por que a negativa de Lynparza virou rotina (e por que não para de pé)

A terapia-alvo com olaparibe tem custo alto. Pela Tabela CMED, a caixa de Lynparza 150 mg com 56 comprimidos revestidos tem Preço Máximo ao Consumidor na faixa de aproximadamente R$ 25 mil a R$ 27 mil, conforme o ICMS de cada estado. Como a posologia habitual é de 300 mg duas vezes ao dia, o consumo mensal alcança cerca de duas caixas, o que coloca o custo do tratamento na ordem de dezenas de milhares de reais por mês, valor proibitivo para a imensa maioria das famílias. É essa conta, e não princípio jurídico nenhum, que está por trás das negativas.

O padrão “nega-se primeiro, vê-se quem volta”

A leitura da banca, depois de muitos casos, é que existe um padrão de comportamento: nega-se primeiro, aguarda-se quem tem fôlego para voltar. Boa parte dos pacientes não consegue enfrentar o plano sozinha, e um percentual expressivo simplesmente desiste ou paga do bolso o que não devia. Não é teoria conspiratória. É o que se observa no movimento das varas cíveis especializadas.

Três consequências práticas para quem recebeu a carta

Primeira: a negativa raramente é o fim da linha. Na esmagadora maioria das vezes, ela abre o processo. Segunda: o tempo importa de verdade. Semanas perdidas em oncologia significam janela terapêutica fechando, e a tutela de urgência foi feita para isso. Terceira: é legítimo querer entender o terreno antes de procurar advogado. Esse é, com frequência, o gesto da família que busca o escritório no primeiro atendimento, e é o gesto de quem lê este texto agora.

Os argumentos que a operadora usa, e por que cada um cai

Negativas do Lynparza (olaparibe) e a refutação jurídica de cada uma Painel comparativo com cinco argumentos frequentes de negativa de cobertura do Lynparza pelos planos de saúde — fora do rol, uso off-label, tratamento experimental, medicação oral ambulatorial e carência — ao lado da refutação jurídica correspondente, ancorada no rol taxativo mitigado definido pela ADI 7.265 do STF (18/09/2025) e nos cinco critérios cumulativos do parágrafo 13 do artigo 10 da Lei 9.656/98. Lynparza (olaparibe): a negativa do plano × a resposta do Direito Base atual: rol da ANS taxativo mitigado — ADI 7.265/STF, 18/09/2025 (rel. Barroso) · §13 do art. 10 da Lei 9.656/98 (Lei 14.454/22) Argumento da negativa Refutação jurídica 1 · FORA DO ROL “O procedimento não consta no rol da ANS.” Rol taxativo mitigado (ADI 7.265). O rol admite exceção. Presentes os 5 critérios da ADI 7.265 (prescrição fundamentada; sem negativa da ANS; sem alternativa no rol; evidência científica; registro na Anvisa), a cobertura é obrigatória. 2 · OFF-LABEL “Uso fora da indicação da bula.” A prescrição off-label pelo médico assistente, com fundamentação técnica, não afasta o dever de cobrir. Quem define a terapêutica é o médico, não a operadora (Súmula 105 do TJSP). 3 · EXPERIMENTAL “Tratamento de caráter experimental.” O olaparibe tem registro na Anvisa e eficácia reconhecida em oncologia — não é experimental. O rótulo “experimental” não se sustenta diante de evidência científica e uso consolidado. 4 · ORAL / AMBULATORIAL “Medicação oral de uso domiciliar não é coberta.” Antineoplásico oral para tratamento do câncer tem cobertura obrigatória prevista em lei (art. 12, I, “c”, e art. 10, VI, da Lei 9.656/98). Distinguir da exclusão genérica de medicamento domiciliar. 5 · CARÊNCIA “Paciente ainda está em carência.” Câncer é urgência/emergência oncológica. A carência máxima em urgência/emergência é de 24 horas (art. 35-C da Lei 9.656/98; Súmula 597 do STJ); prazo maior nesse contexto é abusivo. Súmulas 100 e 102 do TJSP revogadas em 10/09/2025; a leitura atual do rol segue a ADI 7.265. Figura informativa — não substitui análise jurídica do caso concreto. Belisário Maciel Advogados · Direito Médico e da Saúde.
Os cinco argumentos mais comuns na carta de negativa do Lynparza e a resposta jurídica de cada um, à luz da ADI 7.265/STF.

Na leitura de uma carta de negativa de Lynparza, identificam-se, com pequenas variações, sempre os mesmos argumentos. Cada um é enfrentado adiante.

“Medicamento fora do rol da ANS”

É o argumento mais comum. Hoje ele se resolve pela ADI 7.265/STF: o rol da ANS é taxativo mitigado, o que significa que a cobertura fora do rol é obrigatória quando presentes, cumulativamente, os cinco critérios fixados pelo Supremo. O tratamento oncológico com olaparibe costuma preenchê-los: prescrição fundamentada do oncologista, inexistência de negativa da ANS ao medicamento, ausência de alternativa adequada já no rol, eficácia comprovada em oncologia e registro na Anvisa. A discussão sobre rol taxativo ou exemplificativo, portanto, cede lugar ao teste dos cinco critérios do §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

“Uso off-label”

A operadora alega que a indicação prescrita não consta exatamente da bula brasileira aprovada pela Anvisa. O argumento cai porque uso off-label fundamentado em evidência científica é prática lícita no Brasil. Quem define a terapêutica é o médico assistente, não a operadora. O TJSP tem tratado a distinção com clareza: uso off-label de medicamento registrado na Anvisa não se confunde com tratamento experimental. Para o aprofundamento, há a análise específica sobre uso off-label oncológico e a cobertura do plano.

“Tratamento experimental”

Esse rótulo contrasta com a realidade regulatória. O Lynparza tem registro sanitário ativo na Anvisa, com bula aprovada para múltiplas indicações oncológicas ligadas à mutação BRCA. Por definição, medicamento com registro regulatório não é experimental. A proteção do paciente contra a negativa por “experimental” ou “fora do rol”, antes ancorada na Súmula 102 do TJSP (revogada em 10/09/2025), hoje decorre diretamente da Lei 14.454/2022 e dos critérios da ADI 7.265/STF.

“Medicação oral de uso domiciliar não é coberta”

Esse é um argumento que o olaparibe encontra com frequência, justamente por ser um comprimido de uso em casa. E é um argumento que cai. Antineoplásico oral para tratamento do câncer tem cobertura obrigatória prevista em lei, pelo art. 12, I, “c”, e pelo art. 10, VI, da Lei 9.656/98. O medicamento oncológico oral, ainda que administrado em domicílio, não se confunde com a exclusão genérica de medicamento de uso domiciliar. A operadora tenta enquadrar o Lynparza na regra dos remédios comuns de farmácia; a lei o enquadra na cobertura oncológica obrigatória.

“Existe alternativa mais barata no rol”

A operadora sugere um medicamento mais barato já listado. O argumento cai porque a escolha do tratamento é prerrogativa do médico assistente, e critério econômico do plano não substitui decisão clínica. Um dos cinco critérios da ADI 7.265 é justamente a inexistência de alternativa terapêutica adequada já incorporada ao rol. No caso do olaparibe, a indicação costuma estar ligada à mutação BRCA do paciente, um dado clínico específico que o oncologista fundamenta e que a alternativa genérica não contempla.

“Falta comprovação da mutação BRCA”

Como a indicação do olaparibe se apoia na presença de mutação BRCA, algumas operadoras exigem o teste genético e, ao mesmo tempo, se recusam a custeá-lo, criando um impasse. Vale registrar que o exame que comprova a indicação do tratamento acompanha a lógica da cobertura: quando o teste é condição para a terapia prescrita, a discussão sobre quem o custeia entra no mesmo pedido. O oncologista fundamenta a necessidade, e o teste passa a integrar o conjunto probatório da ação.

“Carência contratual”

A operadora alega que o beneficiário ainda não cumpriu prazo mínimo. O argumento cai porque a urgência oncológica afasta a carência. O art. 35-C da Lei 9.656/98 garante cobertura obrigatória de urgência e emergência, e a Súmula 597 do STJ considera abusiva a cláusula de carência que ultrapasse 24 horas nessas situações. Quando o relatório médico documenta o risco da espera, a tutela é concedida independentemente do tempo de contrato.

Negativa administrativa e negativa judicial: a diferença antes de agir

A busca costuma confundir dois caminhos que têm regras próprias. Vale separá-los.

A via administrativa: recurso interno e NIP na ANS

O beneficiário pode recorrer internamente à operadora e, em paralelo, registrar uma NIP (Notificação de Intermediação Preliminar) na ANS. A NIP obriga a operadora a se manifestar em prazo curto e resolve parte das negativas indevidas sem processo. Pela RN 623/2024 da ANS (vigente desde 01/07/2025), a operadora tem até dez dias úteis para responder a uma solicitação de procedimento de alta complexidade, categoria que abrange o medicamento oncológico. Esse é o prazo de resposta; o prazo máximo para a efetiva realização do procedimento de alta complexidade permanece de 21 dias úteis.

A via judicial: quando ir direto para a liminar

Em urgência oncológica, normalmente não é preciso esgotar a via administrativa antes de ir à Justiça. O risco de agravamento justifica o pedido direto de tutela de urgência. A via administrativa raramente resolve oncologia a tempo, porque o calendário do tratamento não espera o prazo de resposta da operadora. Por isso, quando há prescrição e negativa, o caminho mais seguro é o judicial, com a NIP tramitando em paralelo como reforço de prova.

Como sai a liminar, e em que prazo, na prática

Linha do tempo do pedido de liminar (tutela de urgência, CPC art. 300) Sequência em quatro etapas: negativa do plano de saúde; reunião dos documentos que demonstram a probabilidade do direito e o perigo de dano; protocolo do pedido de tutela de urgência com base no artigo 300 do CPC; e decisão judicial, em regra em 24 a 72 horas úteis. A base é o rol taxativo mitigado da ANS, fixado pela ADI 7.265 do STF, com cinco critérios cumulativos. TUTELA DE URGÊNCIA — CPC ART. 300 1 Negativa Recusa do plano, de preferência por escrito 2 Reunir documentos Laudo e prescrição médica, contrato e a própria negativa 3 Protocolo Tutela de urgência: probabilidade do direito e perigo de dano 4 Decisão Em regra em 24 a 72h úteis ponto de partida preparação da prova ação judicial resposta do juízo Base: rol taxativo mitigado da ANS (ADI 7.265/STF, 18/09/2025) — cobertura fora do rol exige os 5 critérios cumulativos. Prazos variam conforme a vara.
Da negativa à decisão: as quatro etapas do pedido de tutela de urgência no caso do Lynparza.

Liminar de Lynparza, com peça bem montada e documentação completa, costuma sair em 24 a 72 horas úteis no foro do domicílio do paciente. Há registros de decisão em poucas horas em comarcas onde o juiz despacha à tarde, e há casos em que a apreciação leva uma semana, em comarcas saturadas. A faixa típica é essa. O que conta para o tempo da decisão são três coisas, em ordem de peso.

O relatório do oncologista

É o fator número um. Um relatório completo traz diagnóstico em CID-10, estadiamento, histórico terapêutico, resultado do teste da mutação BRCA quando for o caso, indicação clara do olaparibe (dose, via oral, periodicidade, duração estimada), justificativa clínica com referência a diretrizes reconhecidas (NCCN, ESMO, ASCO), eventual menção à ausência de alternativa adequada e, fundamental, declaração expressa do caráter tempo-sensível do tratamento. O magistrado lê isso e o perigo de dano se desenha sozinho.

A documentação de evidência

Biópsia, laudo do teste genético que identificou a mutação BRCA, patologia, exames de imagem recentes, laudos de estadiamento. Quando a documentação é parcial, o juiz pede emenda, e isso atrasa.

A redação da inicial e os requisitos da tutela de urgência

A tutela de urgência exige, cumulativamente, probabilidade do direito e perigo de dano (art. 300 do CPC). No caso do Lynparza, a probabilidade é forte: o medicamento tem registro na Anvisa, a prescrição existe e o tratamento oncológico costuma preencher os cinco critérios da ADI 7.265. O perigo, quando o relatório é bem feito, é evidente, porque atraso significa progressão. O CPC ainda oferece a tutela antecipada antecedente (art. 303) e a tutela da evidência (art. 311), conforme a estratégia do caso.

Foro competente: o domicílio do paciente

A ação pode ser proposta no foro do domicílio do paciente (art. 101, I, do CDC), independentemente do estado em que a operadora tem sede. Isso facilita muito. Paciente em outra cidade não precisa litigar em São Paulo só porque o plano é nacional.

Documentos essenciais para a ação (checklist interativo)

Reunir a documentação certa acelera a petição e, com ela, a decisão. O componente abaixo faz duas coisas: indica, em três perguntas, o caminho provável do seu caso, e traz um checklist dos documentos essenciais para marcar o que já está em mãos. Nada é enviado nem armazenado.

DIAGNÓSTICO ORIENTATIVO

Plano negou o tratamento oncológico? Descubra o caminho

Três perguntas rápidas indicam o direito provável e o próximo passo. Nada é enviado nem armazenado.

1. Existe prescrição médica do tratamento?

O oncologista assistente indicou por escrito o medicamento ou procedimento, com justificativa clínica.


Checklist de documentos para o pedido de liminar

Reunir esses itens acelera a petição. Marque o que já tiver em mãos.

0 de 7 itens reunidos

Conteúdo meramente informativo, sem coleta de dados: nada digitado ou marcado é enviado ou armazenado. Não substitui a análise de um advogado sobre o caso concreto. Responsável técnico: Dr. Luiggi Maciel, OAB/SP 513.090 — Belisário Maciel Advogados.

Como obter a negativa por escrito quando a operadora se recusa

Às vezes a operadora nega por telefone e evita registrar a recusa. Nesse cenário, o beneficiário deve anotar número de protocolo e data de cada contato, solicitar a negativa por escrito por e-mail (o que fixa prova do pedido) e, se o silêncio persistir, registrar a NIP na ANS. O silêncio da operadora, dentro do prazo, equivale a recusa e também abre caminho para a ação.

Preço do Lynparza (olaparibe) e reembolso do que já foi pago

Uma das buscas mais frequentes é pelo preço do olaparibe, e a resposta ajuda a entender por que a negativa é tão comum. Pela Tabela CMED, a caixa de Lynparza 150 mg com 56 comprimidos revestidos tem Preço Máximo ao Consumidor na faixa aproximada de R$ 25 mil a R$ 27 mil, conforme o ICMS de cada estado, com preços de varejo por vezes abaixo desse teto. Como a posologia habitual consome cerca de duas caixas por mês, o custo mensal facilmente ultrapassa a casa das dezenas de milhares de reais. Esse valor é justamente o que torna proibitivo transferir a conta ao paciente, e o que reforça o dever de cobertura da operadora.

Reembolso do que já foi pago do próprio bolso

Muitos pacientes compram uma ou mais caixas particulares antes ou durante a negativa, para não interromper o tratamento. Esse dinheiro pode ser recuperado. O pedido de ressarcimento dos valores desembolsados é cumulável, na mesma ação, com a obrigação de o plano custear os ciclos seguintes. O que sustenta o reembolso são as notas fiscais e os comprovantes de pagamento. Quando a compra decorreu da recusa indevida da operadora, o valor costuma integrar o pedido, com correção monetária e juros a contar do desembolso.

O que diz a jurisprudência: decisões para entender o terreno

Para esta análise, a equipe do escritório leu decisões diretamente na consulta processual de 2º grau do TJSP (e-SAJ), com número, relator, órgão julgador e data conferidos na própria base do tribunal. A pesquisa de jurisprudência do tribunal retornou centenas de acórdãos com o termo "olaparibe". Abaixo, duas decisões confirmadas processo a processo na fonte oficial, ambas favoráveis ao paciente, e a camada do tribunal superior.

Processo (TJSP)RelatorDataQuadroDesfecho
Agravo de Instrumento 2145304-25.2025.8.26.0000Des. César Peixoto (9ª Câm. Dir. Priv.)03/07/2025Câncer de mama triplo-negativo com mutação germinativa em BRCA; olaparibe 300 mgNegaram provimento ao recurso da operadora (v.u.): mantida a tutela que obrigou a custear o olaparibe, sob multa diária
Apelação Cível 1099059-35.2023.8.26.0002Des.ª Lia Porto (7ª Câm. Dir. Priv.)13/05/2026Fornecimento de medicamentos antineoplásicos (olaparibe no inteiro teor)Negaram provimento ao recurso da operadora (v.u.): mantida a procedência que determinou o custeio e a condenação por danos morais

Por que essas decisões importam

As duas decisões acima mostram o padrão do TJSP diante da negativa de olaparibe: quando há prescrição médica, mutação BRCA documentada e registro do medicamento, a operadora tem o recurso desprovido e a cobertura é mantida. No Agravo de Instrumento 2145304-25.2025, envolvendo câncer de mama triplo-negativo com mutação BRCA, a 9ª Câmara de Direito Privado manteve a tutela de urgência que obrigou o custeio do olaparibe sob multa diária. Na Apelação Cível 1099059-35.2023, a 7ª Câmara de Direito Privado manteve a procedência quanto ao fornecimento de antineoplásicos e a condenação por danos morais. Cabe a ressalva de honestidade técnica: o cenário pós-ADI 7.265 não é de vitória automática. Quando o uso é off-label sem evidência científica de alto grau, ou quando falta algum dos cinco critérios do STF, a negativa pode se sustentar. Para o olaparibe em indicações consagradas, com registro na Anvisa e mutação BRCA documentada, o quadro é o oposto.

A camada do STJ e a atualização das súmulas

No plano do tribunal superior, o entendimento sobre a abusividade da negativa de tratamento oncológico é consolidado, e a ADI 7.265/STF passou a orientar toda a leitura do rol. Na jurisprudência consolidada da Quarta Turma, o STJ reafirmou que as operadoras de plano de saúde têm o dever de cobrir fármacos para tratamento contra o câncer, sendo abusiva a recusa de medicamento indicado pelo médico assistente. Vale registrar, para transparência, que o Órgão Especial do TJSP revogou as Súmulas 100 e 102 em 10/09/2025, para alinhar sua jurisprudência ao STJ e à ADI 7.265. A proteção do paciente segue firme, agora ancorada nos cinco critérios do Supremo e no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

A base legal que sustenta o seu direito

Os cinco critérios cumulativos da ADI 7.265/STF para cobertura de procedimento fora do rol da ANS O Supremo Tribunal Federal, na ADI 7.265 (18 de setembro de 2025, relator ministro Barroso), fixou o rol da ANS como taxativo mitigado. A cobertura fora do rol é obrigatória apenas quando presentes, ao mesmo tempo, cinco critérios: 1, prescrição do médico ou odontólogo assistente com fundamentação técnica; 2, ausência de negativa expressa da ANS e de pedido de incorporação pendente; 3, inexistência de alternativa terapêutica adequada já prevista no rol; 4, comprovação de eficácia e segurança por evidência científica; 5, registro na Anvisa. Base legal: parágrafo 13 do artigo 10 da Lei 9.656 de 1998, incluído pela Lei 14.454 de 2022. ROL DA ANS · TAXATIVO MITIGADO Os 5 critérios cumulativos da ADI 7.265/STF Cobertura fora do rol só é obrigatória quando os cinco requisitos estão presentes ao mesmo tempo. 1 Prescrição do profissional assistente Indicação por médico ou odontólogo assistente, com fundamentação técnica do caso concreto. 2 Sem negativa da ANS nem incorporação pendente Ausência de negativa expressa da ANS e inexistência de pedido de incorporação em análise. 3 Ausência de alternativa já no rol Inexistência de tratamento adequado e substituto já previsto no rol de cobertura obrigatória. 4 Eficácia e segurança comprovadas Evidência científica de eficácia e segurança do procedimento ou medicamento indicado. 5 Registro na Anvisa Registro do produto ou tecnologia na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Requisitos cumulativos: a falta de um único critério afasta a obrigação de cobertura. Fonte: STF, ADI 7.265 (Pleno, 18/09/2025, rel. Min. Barroso). Base legal: art. 10, §13, da Lei 9.656/98, incluído pela Lei 14.454/2022.
Os cinco critérios cumulativos que o STF fixou na ADI 7.265 para a cobertura de tratamento fora do rol da ANS.

Citar os instrumentos jurídicos na ordem certa não é exibicionismo. É o que faz a tutela de urgência sair em 24, 48 ou 72 horas em vez de levar semanas. Quando a inicial traz os fundamentos certos, o juiz lê e decide rápido. Os pilares são estes.

Lei 9.656/98, art. 10. O plano em modalidade referência cobre as doenças listadas na CID-10. O câncer está na CID-10. A cobertura contratual existe. O art. 12, I, "c", e o art. 10, VI, garantem a cobertura de antineoplásico oral para uso domiciliar, o que alcança diretamente o olaparibe.

Lei 14.454/2022, que incluiu o §13 no art. 10 da Lei 9.656/98. É a base legal da exceção à taxatividade. Em sua redação literal, o §13 determina que a cobertura de tratamento fora do rol deve ser autorizada pela operadora quando atendido, alternativamente, um de dois requisitos: "I - exista comprovação da eficácia, à luz das ciências da saúde, baseada em evidências científicas e plano terapêutico"; ou "II - existam recomendações pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ou exista recomendação de, no mínimo, 1 (um) órgão de avaliação de tecnologias em saúde que tenha renome internacional, desde que sejam aprovadas também para seus nacionais". É esse dispositivo que a ADI 7.265 interpretou conforme a Constituição, fixando o rol como taxativo mitigado.

ADI 7.265/STF (Pleno, 18/09/2025, rel. Min. Barroso). Consolidou o rol como taxativo mitigado e fixou os cinco critérios cumulativos da figura acima. É a norma central da leitura atual.

CDC, art. 51, IV. Cláusula que coloca o consumidor em desvantagem exagerada é nula de pleno direito. A recusa de tratamento oncológico prescrito é abusividade contratual clássica. Somam-se o art. 6º, III (dever de informação) e o art. 101, I (foro do domicílio do consumidor).

CPC, art. 300. A tutela de urgência exige probabilidade do direito e perigo de dano. É o instrumento que garante o início imediato do tratamento, antes do julgamento do mérito.

Para a moldura geral em que esses fundamentos se inserem, o escritório recomenda o pilar sobre planos de saúde para pacientes com câncer e o hub de direitos do paciente oncológico.

Como cada tipo de plano costuma negar

A fundamentação da negativa varia pouco de operadora para operadora, porque quase sempre gira em torno do rol e do custo. O que muda mais é a modalidade do plano.

Planos individuais, coletivos empresariais e por adesão

Os direitos são equivalentes. Planos coletivos, empresariais ou por adesão, estão submetidos às mesmas regras protetivas do CDC e da Lei 9.656/98. A jurisprudência não distingue a modalidade para fins de cobertura oncológica. Ser empresarial não é argumento de exclusão.

Planos em autogestão: uma observação técnica

Há uma exceção técnica quanto à autogestão. A Súmula 608 do STJ afasta a aplicação do CDC aos planos administrados por entidades de autogestão. Isso não significa que a negativa se sustente: a obrigação de cobrir antineoplásicos registrados persiste mesmo na autogestão, porque decorre da própria Lei 9.656/98 e dos critérios fixados pela ADI 7.265, independentemente da incidência do CDC. Muda a base argumentativa, não o resultado.

O escritório mantém a orientação de linguagem factual: não se difama operadora e não se inventa estatística por marca. O que se descreve é o padrão jurídico da negativa, não a conduta individual de uma empresa.

Quando a operadora descumpre a liminar (e isso acontece)

Liminar deferida não é cumprimento garantido. Ocorre de o plano receber a intimação, deixar a guia em aberto e jogar com o calendário do paciente. Quando isso acontece, há quatro caminhos paralelos.

Astreintes

A multa diária já vem fixada na decisão que concede a tutela e corre até o cumprimento, em valor arbitrado conforme o caso.

Bloqueio de valores (Sisbajud)

Quando a multa é insuficiente, ou quando o plano retarda para forçar a desistência, é possível requerer o bloqueio online de valores da operadora via Sisbajud, para custear diretamente o tratamento. Plano nenhum quer ver a conta bloqueada, e o bloqueio costuma curar a desobediência com rapidez.

Conversão em perdas e danos

Em situações extremas, quando o cumprimento específico se torna impossível, a obrigação de fazer pode ser convertida em indenização. É um caminho amargo, mas existe, sobretudo quando a demora causa dano irreversível.

Representação aos órgãos de fiscalização

O descumprimento reiterado de decisão judicial pode ser reportado ao Ministério Público (Promotoria do Consumidor) e à ANS, via NIP, que tramita em paralelo à ação. É reforço, não substituto, do cumprimento judicial.

Danos morais em negativa de Lynparza: o que esperar

É tema que costuma frustrar, então cabe tratamento direto. A negativa indevida de Lynparza pode configurar dano moral autônomo, mas não é automático. Exige demonstração concreta de agravamento clínico ou de prejuízo específico decorrente da negativa, não bastando o aborrecimento pelo descumprimento contratual.

Quando há agravamento (progressão da doença, internação evitável, atraso terapêutico documentado), os tribunais têm reconhecido o dano. Na Apelação Cível 1099059-35.2023, confirmada nesta análise, o TJSP manteve a condenação por danos morais somada ao custeio do medicamento antineoplásico. A orientação da banca a quem pergunta: o foco da ação é o tratamento. O dano moral, quando cabe, é desdobramento.

Custos e honorários: quanto custa entrar com a ação

Honorários sucumbenciais e honorários contratuais

Os honorários sucumbenciais são fixados pelo juiz e, em regra, pagos pela parte que perde. Quando o paciente vence, é a operadora quem os paga. Isso não significa custo zero: o contrato com o advogado define os honorários contratuais, que em casos oncológicos costumam seguir modelo ad exitum (parcela vinculada ao êxito). Esse esclarecimento, por escrito e assinado, é direito do contratante e deve ser tratado na consulta inicial.

Gratuidade de justiça e advogado fora de São Paulo

Quando o beneficiário não pode arcar com custas sem prejuízo do próprio sustento, cabe pedido de gratuidade de justiça, que dispensa custas e despesas processuais. E, como a ação corre no foro do domicílio do paciente, um advogado com atuação nacional e experiência em Direito Médico pode conduzir o caso em qualquer comarca. A especialidade técnica importa mais que a localização.

Lynparza e outras terapias-alvo: tratamento jurídico equivalente

É frequente a dúvida de quem teve outro medicamento oncológico oral negado em vez do olaparibe. A tese e a estrutura jurídica são equivalentes. Inibidores de PARP como o olaparibe, outras terapias-alvo orais e a imunoterapia enfrentam o mesmo padrão de negativa pelas mesmas razões econômicas, e a proteção jurídica é a mesma: registro na Anvisa, prescrição fundamentada, cobertura obrigatória de antineoplásico e os cinco critérios da ADI 7.265. Para quem teve imunoterapia negada, o escritório mantém a análise sobre a negativa de Keytruda (pembrolizumabe) e de Opdivo (nivolumabe). O raciocínio jurídico atravessa toda a oncologia de alto custo.

Perguntas frequentes na prática contenciosa

O olaparibe (Lynparza) é quimioterapia?

Não no sentido clássico. O olaparibe é um inibidor de PARP, uma terapia-alvo oral em comprimidos, que age de forma dirigida sobre a célula tumoral com mutação BRCA. Diferente da quimioterapia tradicional, que atinge células em divisão de modo amplo, ele explora uma fragilidade específica do tumor, provocando a chamada letalidade sintética. Para fins de cobertura, é antineoplásico oral com proteção legal específica.

Para que serve o Lynparza?

Em bula aprovada no Brasil, o olaparibe é indicado sobretudo em cânceres associados à mutação BRCA: câncer de ovário (inclusive manutenção após resposta à platina), câncer de mama HER2-negativo com mutação germinativa BRCA, adenocarcinoma de pâncreas metastático e câncer de próstata metastático resistente à castração. A indicação exata é definida pelo oncologista assistente conforme o caso.

O plano disse que o Lynparza é experimental. Esse argumento se sustenta?

Não se sustenta. O Lynparza tem registro sanitário ativo na Anvisa, com bula aprovada para múltiplas indicações oncológicas. Por definição legal, medicamento com registro regulatório não é experimental. A proteção contra a recusa por experimental ou fora do rol decorre hoje da Lei 14.454/2022 e dos cinco critérios da ADI 7.265/STF. A Súmula 102 do TJSP, antes invocada para isso, foi revogada em 10/09/2025, mas a proteção do paciente permanece.

O plano alegou "fora do rol da ANS". Como se responde?

O rol da ANS é taxativo mitigado (ADI 7.265/STF). Isso significa que a cobertura fora do rol é obrigatória quando presentes, ao mesmo tempo, os cinco critérios fixados pelo STF, entre eles a prescrição fundamentada e o registro na Anvisa. O tratamento oncológico com olaparibe costuma preencher todos. A discussão sobre taxatividade cede lugar ao teste dos cinco critérios do §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

O plano pode negar o olaparibe por ser comprimido de uso em casa?

Não. Antineoplásico oral para tratamento do câncer tem cobertura obrigatória prevista em lei, pelo art. 12, I, "c", e pelo art. 10, VI, da Lei 9.656/98. O medicamento oncológico oral, ainda que administrado em domicílio, não se confunde com a exclusão genérica de medicamento de uso domiciliar. Enquadrar o Lynparza como remédio comum de farmácia é justamente o erro que a lei corrige.

O plano exige o teste da mutação BRCA e se recusa a pagá-lo. O que fazer?

Como a indicação do olaparibe se apoia na mutação BRCA, o exame que comprova essa mutação acompanha a lógica da cobertura do tratamento. Quando o teste é condição para a terapia prescrita, a discussão sobre quem o custeia entra no mesmo pedido judicial. O oncologista fundamenta a necessidade, e o teste passa a integrar o conjunto probatório da ação.

Beneficiário em carência: o plano pode usar isso para negar o Lynparza?

Em urgência oncológica, a carência é afastada. O art. 35-C da Lei 9.656/98 garante cobertura de urgência e emergência, e a Súmula 597 do STJ considera abusiva a carência que ultrapasse 24 horas nessas situações. Se o relatório médico documenta o risco da espera, a tutela é concedida independentemente do tempo de contrato.

Quanto custa o Lynparza (olaparibe)?

Pela Tabela CMED, a caixa de Lynparza 150 mg com 56 comprimidos tem Preço Máximo ao Consumidor na faixa aproximada de R$ 25 mil a R$ 27 mil, conforme o ICMS de cada estado. Como a posologia habitual consome cerca de duas caixas por mês, o custo mensal facilmente ultrapassa as dezenas de milhares de reais, o que reforça por que a negativa transfere ônus proibitivo ao paciente.

Já paguei algumas caixas do meu bolso. Consigo reembolso?

Sim. O pedido de ressarcimento dos valores desembolsados é cumulável, na mesma ação, com a obrigação de o plano custear os ciclos seguintes. O que sustenta o reembolso são as notas fiscais e os comprovantes de pagamento. Sobre os valores incidem correção monetária e juros a contar do desembolso.

Quanto tempo dura o processo todo, não só a liminar?

A liminar sai em 24 a 72 horas úteis com peça bem montada. O processo completo, com sentença de primeiro grau e eventual apelação, tipicamente leva de 12 a 24 meses. O ponto crítico é que a liminar garante o tratamento desde o início: o mérito vem depois, mas o olaparibe já está sendo tomado.

Preciso recorrer primeiro na ANS (NIP) antes de ir à Justiça?

Não. Em urgência oncológica, normalmente não é preciso esgotar a via administrativa antes de ajuizar a ação. A NIP pode ser registrada em paralelo, como reforço de prova, mas o risco de agravamento justifica o pedido judicial direto de tutela de urgência.

Beneficiário fora de São Paulo precisa de advogado local?

Não obrigatoriamente. A ação pode ser proposta no foro do domicílio do paciente (art. 101, I, do CDC). Um advogado com atuação nacional e experiência em Direito Médico pode atuar em qualquer comarca. A especialidade técnica importa mais que a localização geográfica.

O olaparibe tem no SUS? É diferente do plano de saúde?

São caminhos distintos. O olaparibe foi incorporado ao SUS para indicações específicas de câncer de ovário com mutação BRCA, seguindo lógica própria de dispensação pública. Este texto trata da cobertura pelo plano de saúde privado, cuja base é a Lei 9.656/98, a ADI 7.265 e o CDC. Quem tem plano privado e recebeu negativa deve, em regra, discutir a cobertura contratual pela via aqui descrita.

Próximos passos práticos, em sequência

  1. Solicite a negativa por escrito. A operadora é obrigada a fornecer. Documento escrito é peça essencial.
  2. Reúna a documentação médica completa: relatório, receituário, exames, biópsia e o laudo do teste da mutação BRCA.
  3. Guarde as notas fiscais do que já pagou do bolso, para o pedido de reembolso.
  4. Procure um advogado com atuação em Direito Médico. A consulta deve resultar em análise objetiva e estimativa de prazo.
  5. Ajuíze a ação com pedido de tutela de urgência, na Vara Cível do domicílio do paciente.
  6. Aguarde a decisão em 24 a 72 horas úteis. Com a liminar deferida, o tratamento inicia de imediato.
  7. Se houver descumprimento, acione o advogado para multa, bloqueio via Sisbajud e representação.

Como o escritório pode ajudar

O Belisário Maciel Advogados atua diariamente em ações de cobertura oncológica, incluindo terapia-alvo (olaparibe e outros inibidores de PARP), imunoterapia, CAR-T e tratamentos combinados. Para uma análise direta do caso específico, com estimativa realista de prazo, basta falar com a Belisário Maciel Advogados para análise do caso de negativa de Lynparza. A leitura paralela recomendada é o pilar sobre planos de saúde para pacientes oncológicos e o hub de direitos do paciente oncológico.

Sobre o autor

Sócio-fundador do Belisário Maciel Advogados, escritório com atuação exclusiva em Direito Médico e da Saúde. Atua na defesa de pacientes diante de negativas de cobertura de planos de saúde, judicialização da saúde, erro médico e responsabilidade civil em saúde, com foco em casos de oncologia, doenças crônicas, neurodesenvolvimento, cirurgias e dispositivos médicos de alta complexidade.

Referências oficiais consultadas

  • Anvisa — Bula profissional Lynparza (olaparibe) e registro sanitário: gov.br/anvisa e consultas.anvisa.gov.br
  • Lei 9.656/98 (arts. 10, 12 e 35-C) e Lei 14.454/2022 (§13 do art. 10): planalto.gov.br
  • CDC (arts. 6º III, 51 IV e 101 I): planalto.gov.br
  • CPC (arts. 300, 303 e 311): planalto.gov.br
  • STF — ADI 7.265 (Pleno, 18/09/2025, rel. Min. Barroso): portal.stf.jus.br
  • TJSP (e-SAJ) — Agravo de Instrumento 2145304-25.2025 e Apelação Cível 1099059-35.2023: esaj.tjsp.jus.br
  • STJ — jurisprudência consolidada da Quarta Turma
  • Súmulas 105, 597 e 608 do STJ. Súmulas 100 e 102 do TJSP revogadas em 10/09/2025
  • ANS — RN 623/2024 (prazos de resposta): gov.br/ans · Tabela CMED (preços): gov.br/anvisa/cmed
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