Ribociclibe (Kisqali): Para Que Serve, Preço e Cobertura

Atualização normativa 2025

Em 18 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal concluiu a ADI 7.265 (Tribunal Pleno, rel. Min. Luís Roberto Barroso) e firmou que o rol da ANS é taxativo mitigado. A cobertura de tratamento fora do rol é obrigatória quando presentes, ao mesmo tempo, cinco critérios, com base no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98 (incluído pela Lei 14.454/2022).

No mesmo alinhamento, o Órgão Especial do TJSP revogou, em 10/09/2025, as Súmulas 100 e 102. A proteção do paciente oncológico permanece, agora ancorada nos cinco critérios da ADI 7.265 e no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98. Este texto usa essa base atual.

O ribociclibe (nome comercial Kisqali, da Novartis) é uma terapia-alvo oral para câncer de mama HR+/HER2-. É um inibidor de CDK4/6, tomado em comprimido, e não é quimioterapia clássica. Pela tabela CMED, o custo de referência de um ciclo mensal em dose usual (a caixa de 63 comprimidos) chega a cerca de R$ 29 mil no teto de tabela — dezenas de milhares de reais por mês. Esse valor, na quase totalidade dos casos, não é conta do paciente: quando há prescrição do oncologista, o plano de saúde é obrigado a custear o medicamento, mesmo fora do rol da ANS, com base na ADI 7.265/STF e no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

Caixa de Kisqali (ribociclibe) 200 mg da Novartis ao lado de balança da justiça, representando preço e cobertura obrigatória pelo plano de saúde
Ribociclibe (Kisqali): terapia-alvo oral para câncer de mama HR+/HER2-. O preço alto, pela tabela CMED, é justamente o que sustenta o dever de o plano de saúde custear.

A busca por “kisqali preço” costuma vir de duas pessoas: a paciente que acabou de receber a prescrição de Kisqali e tomou um susto com o valor na farmácia, e o familiar que tenta entender por que um comprimido custa o que custa. Este texto responde as duas perguntas de frente, com preço conferido na fonte oficial, e vai além do número: explica o que é o medicamento, para que serve, e por que, na esmagadora maioria dos casos, quem deve pagar essa conta é o plano de saúde, não a família. O conteúdo é técnico e informativo, dirigido a quem quer entender o terreno.

Kisqali é o nome comercial. Ribociclibe — mais precisamente succinato de ribociclibe — é o princípio ativo. São a mesma coisa, e ao longo do texto os dois nomes aparecem juntos, porque é assim que paciente e médico se referem ao tratamento. A defesa do beneficiário diante da negativa de custeio de terapia-alvo oncológica oral é rotina contenciosa do Belisário Maciel Advogados, e o que se descreve aqui vem dessa prática. Para a moldura geral dos direitos do paciente oncológico diante da operadora, vale consultar o pilar sobre planos de saúde para pacientes com câncer.

O que é o Kisqali (ribociclibe)

O ribociclibe é um antineoplásico de uso oral. Pertence à classe dos inibidores das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6). Em termos simples: as CDK4 e CDK6 são as “chaves” que autorizam a célula a avançar no ciclo de divisão. Nos tumores de mama sensíveis a hormônios, essas chaves ficam aceleradas e a célula tumoral se multiplica sem freio. O ribociclibe bloqueia essas quinases, trava a passagem da fase G1 para a fase S do ciclo celular e interrompe a proliferação do tumor. É por isso que a bula o classifica como terapia-alvo, e não como quimioterapia citotóxica clássica.

Comercialmente, o ribociclibe é vendido no Brasil sob a marca Kisqali, da Novartis. Tem registro regular na Anvisa, aprovado desde julho de 2018, e é dispensado sob prescrição médica (tarja vermelha), em comprimidos revestidos de 200 mg. Como é um medicamento oral, tomado em casa, ele se enquadra na categoria de antineoplásico oral de uso domiciliar — uma distinção que, como se verá adiante, tem peso jurídico na hora em que a operadora tenta negar a cobertura.

Ribociclibe é quimioterapia?

Não, e a distinção importa. A quimioterapia clássica age de forma inespecífica, atacando células que se dividem rápido, tumorais e sadias, o que explica efeitos como queda de cabelo intensa e imunossupressão profunda. O ribociclibe é uma terapia-alvo: mira um mecanismo específico da célula tumoral (as quinases CDK4/6). O perfil de efeitos é diferente, e a lógica do tratamento também. Ainda assim, do ponto de vista da cobertura pelo plano de saúde, tanto faz o rótulo: seja quimioterapia oral, seja terapia-alvo oral, o antineoplásico oral prescrito para tratar o câncer tem cobertura obrigatória. O argumento “é oral, então não cobrimos” não se sustenta.

Para que serve o ribociclibe: as indicações

O ribociclibe é indicado para câncer de mama com receptores hormonais positivos e HER2 negativo (a sigla que aparece nos laudos é HR+/HER2-). Esse é o subtipo mais comum de câncer de mama. As indicações aprovadas na bula do Kisqali, registrada na Anvisa, cobrem dois grandes cenários, sempre em combinação com terapia endócrina.

Câncer de mama inicial ou precoce

Em combinação com um inibidor de aromatase (letrozol, anastrozol ou exemestano), para o câncer de mama inicial HR+/HER2-. Nesse contexto, o objetivo é reduzir a chance de a doença voltar após o tratamento inicial. A definição do esquema e do momento de uso é do oncologista assistente, à luz do risco de cada caso.

Câncer de mama avançado ou metastático

Para a doença HR+/HER2- em estágio avançado (localmente avançado) ou metastático, a bula prevê o ribociclibe em combinação com um inibidor de aromatase ou com fulvestranto como terapia endócrina. Em mulheres na pré ou perimenopausa, a terapia endócrina deve ser associada a um agonista de LHRH (supressão ovariana). Em todos esses cenários, é o oncologista quem define, no caso concreto, o esquema adequado.

Uma observação importante para quem compara medicamentos: o ribociclibe faz parte da mesma família dos inibidores de CDK4/6 que inclui o palbociclibe (Ibrance) e o abemaciclibe (Verzenio). São medicamentos da mesma classe, com indicação próxima no câncer de mama HR+/HER2-, e a lógica de cobertura pelo plano é equivalente. Quem pesquisa preço de um costuma pesquisar o do outro; para o comparativo de valores e cobertura, o escritório mantém as análises sobre preço e cobertura do Ibrance (palbociclibe) e sobre preço e cobertura do Verzenio (abemaciclibe).

Succinato de ribociclibe: princípio ativo, apresentações e bula

O princípio ativo do Kisqali é o succinato de ribociclibe. Cada comprimido revestido contém 254,40 mg de succinato de ribociclibe, o equivalente a 200 mg de ribociclibe base — por isso a apresentação é sempre descrita como “200 mg”. O medicamento é fornecido em caixas de 21, 42 ou 63 comprimidos de 200 mg. Não há, no Brasil, versão genérica ou similar do ribociclibe; o Kisqali é o medicamento de referência.

Qual é a dose usual do Kisqali

A dose usual do ribociclibe, conforme a bula, é de 600 mg por dia — três comprimidos de 200 mg, uma vez ao dia —, tomados nos dias 1 a 21 de um ciclo de 28 dias (21 dias com o medicamento e 7 dias de pausa). Na prática, isso significa que um ciclo mensal de tratamento consome exatamente uma caixa de 63 comprimidos (3 por dia × 21 dias). A dose pode ser reduzida pelo oncologista para 400 mg (2 comprimidos) ou 200 mg (1 comprimido) por dia em caso de toxicidade. A definição e o ajuste da dose são sempre do médico assistente.

Quanto custa o Kisqali: preço pela tabela CMED

O preço do ribociclibe é regulado. Quem define o teto de venda é a CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), órgão ligado à Anvisa. Como o Kisqali é um medicamento oral de dispensação em farmácia (venda no varejo), a CMED publica para ele o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), o teto de venda ao paciente na farmácia. A tabela abaixo traz os valores da lista CMED atualizada em abril de 2026, por apresentação e por alíquota de ICMS, com destaque para a coluna de São Paulo (18%).

Preço do ribociclibe (Kisqali) por apresentação — tabela CMED, atualização de 24 de abril de 2026 Tabela de preços do ribociclibe (Kisqali) por apresentação, conforme a lista da CMED da Anvisa atualizada em 24 de abril de 2026. Valores de Preço Máximo ao Consumidor por caixa, em reais, nas alíquotas de ICMS de 17, 18 (São Paulo) e 22 por cento (Rio de Janeiro). Ribociclibe 200 mg, caixa com 21 comprimidos: 9.519,73 a 17 por cento; 9.635,82 a 18 por cento; 10.129,96 a 22 por cento. Ribociclibe 200 mg, caixa com 63 comprimidos, que corresponde a um ciclo mensal de tratamento na dose usual: 28.559,31 a 17 por cento; 28.907,59 a 18 por cento; 30.390,03 a 22 por cento. A dose usual é de 600 miligramas por dia, três comprimidos de 200 miligramas uma vez ao dia, nos dias 1 a 21 de um ciclo de 28 dias, o que consome uma caixa de 63 comprimidos por ciclo. Os valores são preço-teto de tabela e não correspondem necessariamente ao preço praticado na farmácia. PREÇO REGULADO · CMED / ANVISA Kisqali (ribociclibe): preço por apresentação Lista CMED atualizada em 24/04/2026 · Preço Máximo ao Consumidor por caixa, em reais Apresentação ICMS 17% ICMS 18% (SP) ICMS 22% (RJ) 200 mg — caixa 21 comp. R$ 9.519,73 R$ 9.635,82 R$ 10.129,96 200 mg — caixa 63 comp. dose usual: 3 cp/dia × 21 dias ≈ 1 ciclo mensal R$ 28.559,31 R$ 28.907,59 R$ 30.390,03 PMC = Preço Máximo ao Consumidor, teto de venda ao paciente na farmácia. O Kisqali é oral de dispensação em farmácia, por isso tem PMC. A caixa de 42 comprimidos existe, mas não é exibida aqui; para esse valor, consultar a lista oficial da CMED do mês vigente. Fonte: Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED/Anvisa), atualização de 24/04/2026 (gov.br/anvisa). Preço-teto de tabela: não corresponde ao preço efetivamente praticado. Em junho de 2026, farmácias especializadas praticavam a caixa de 63 comprimidos abaixo do teto. Figura informativa. Belisário Maciel Advogados.
Preço do ribociclibe (Kisqali) por apresentação, pela tabela CMED de abril de 2026. Em dose usual, um ciclo mensal (caixa de 63 comprimidos) beira R$ 28,9 mil no teto de São Paulo.

Por que o ribociclibe é tão caro e quanto custa por ano

Como a dose usual é de 600 mg por dia por 21 dias em cada ciclo de 28, um ciclo mensal consome uma caixa de 63 comprimidos. Pela tabela CMED de abril de 2026, com ICMS de 18% (São Paulo), essa caixa tem Preço Máximo ao Consumidor de R$ 28.907,59. Ou seja: o custo de referência do tratamento em dose plena está na ordem de dezenas de milhares de reais por mês, e um ano de tratamento contínuo supera R$ 340 mil. O preço alto reflete o custo de desenvolvimento de uma terapia-alvo de alta complexidade e a ausência de concorrência genérica.

Vale registrar a lógica: esse número não é para assustar, é para dimensionar o direito. É justamente porque o tratamento custa o que custa que a negativa de cobertura fere o paciente de forma tão concreta, e é esse valor que sustenta, na ação judicial, a urgência de o plano custear.

Preço-teto da tabela x preço praticado na farmácia

Uma ressalva técnica, por honestidade: os valores da CMED são preços-teto. A farmácia não pode cobrar acima do PMC, mas pode praticar valor menor. Em junho de 2026, uma consulta a farmácias especializadas mostrava a caixa de 63 comprimidos sendo ofertada abaixo do teto de tabela, em faixas que variavam conforme o estabelecimento e a negociação. Por isso, o número da tabela serve para dimensionar a ordem de grandeza do tratamento e o teto legal, não como o preço exato que cada paciente pagaria. A dose efetiva também varia: se o oncologista reduzir a dose por tolerância, o consumo mensal cai.

PF, PMC e PMVG: o que cada preço da CMED significa

A tabela CMED publica três números que costumam confundir. O Preço de Fábrica (PF) é o teto de venda do laboratório a farmácias, distribuidores e ao poder público. O Preço Máximo ao Consumidor (PMC) é o teto de venda na farmácia ao paciente — é o número relevante para quem compra o Kisqali no varejo, e é o que a figura acima traz. Já o Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG) aplica-se a compras públicas, com desconto obrigatório. Cada um desses preços é publicado por apresentação e por alíquota estadual de ICMS, motivo pelo qual o valor muda de estado para estado.

Ribociclibe pelo SUS e a avaliação da CONITEC

No sistema público, os inibidores de CDK4/6 — entre eles o ribociclibe — foram objeto de avaliação da CONITEC, a comissão que assessora o Ministério da Saúde sobre incorporação de tecnologias ao SUS, com dossiê específico do Kisqali para o câncer de mama avançado. Diferentemente de outros medicamentos, porém, não há incorporação do ribociclibe ao SUS confirmada para uso geral no câncer de mama até o fechamento deste texto; o acesso pela via pública, quando ocorre, tende a passar pela judicialização contra o ente público. No âmbito da saúde suplementar, o antineoplásico oral entra na diretriz de utilização de terapia antineoplásica oral do rol da ANS. Para o paciente com plano privado, o ponto central é outro: a obrigação da operadora de custear o medicamento prescrito, tema da próxima seção.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o ribociclibe?

Em regra, sim. Quando há prescrição do oncologista assistente para o tratamento do câncer de mama, o plano de saúde é obrigado a custear o ribociclibe (Kisqali), e a recusa costuma ser abusiva. Essa conclusão não é opinião: decorre da leitura atual da lei e da posição consolidada dos tribunais. Vale entender por quê.

Os cinco critérios cumulativos da ADI 7.265/STF para cobertura de medicamento fora do rol da ANS O Supremo Tribunal Federal, na ADI 7.265 (18 de setembro de 2025, relator ministro Barroso), fixou o rol da ANS como taxativo mitigado. A cobertura fora do rol é obrigatória apenas quando presentes, ao mesmo tempo, cinco critérios: 1, prescrição do médico ou odontólogo assistente com fundamentação técnica; 2, ausência de negativa expressa da ANS e de pedido de incorporação pendente; 3, inexistência de alternativa terapêutica adequada já prevista no rol; 4, comprovação de eficácia e segurança por evidência científica; 5, registro na Anvisa. Base legal: parágrafo 13 do artigo 10 da Lei 9.656 de 1998, incluído pela Lei 14.454 de 2022. ROL DA ANS · TAXATIVO MITIGADO Os 5 critérios cumulativos da ADI 7.265/STF Cobertura fora do rol só é obrigatória quando os cinco requisitos estão presentes ao mesmo tempo. 1 Prescrição do profissional assistente Indicação por médico ou odontólogo assistente, com fundamentação técnica do caso concreto. 2 Sem negativa da ANS nem incorporação pendente Ausência de negativa expressa da ANS e inexistência de pedido de incorporação em análise. 3 Ausência de alternativa já no rol Inexistência de tratamento adequado e substituto já previsto no rol de cobertura obrigatória. 4 Eficácia e segurança comprovadas Evidência científica de eficácia e segurança do medicamento indicado. 5 Registro na Anvisa Registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Requisitos cumulativos: a falta de um único critério afasta a obrigação de cobertura. Fonte: STF, ADI 7.265 (Pleno, 18/09/2025, rel. Min. Barroso). Base legal: art. 10, §13, da Lei 9.656/98, incluído pela Lei 14.454/2022.
Os cinco critérios cumulativos que o STF fixou na ADI 7.265 para a cobertura de tratamento fora do rol da ANS.

O rol taxativo mitigado e os cinco critérios do STF

A operadora costuma negar dizendo que o ribociclibe “não consta no rol da ANS”. Hoje esse argumento se resolve pela ADI 7.265/STF: o rol é taxativo mitigado, o que significa que a cobertura fora do rol é obrigatória quando presentes, cumulativamente, os cinco critérios da figura acima. O tratamento com ribociclibe costuma preencher todos: há prescrição fundamentada do oncologista, não há negativa da ANS ao medicamento, em regra não há alternativa adequada já no rol para aquele caso, a eficácia é comprovada por evidência científica e o registro na Anvisa existe desde 2018. A discussão sobre rol taxativo ou exemplificativo cede lugar ao teste dos cinco critérios do §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

“É oral, de uso em casa”: por que esse argumento não cola

O segundo argumento típico, específico dos medicamentos como o ribociclibe, é que se trata de medicação oral de uso domiciliar e, por isso, não teria cobertura. O argumento cai porque o antineoplásico oral para tratamento do câncer tem cobertura obrigatória prevista em lei. A Lei 9.656/98 assegura a cobertura de tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral, e a jurisprudência consolidou o entendimento. É preciso distinguir: uma coisa é a exclusão genérica de medicamento de uso domiciliar (que existe para remédios comuns); outra, bem diferente, é o antineoplásico oral, que a lei protege expressamente. Confundir os dois é o erro (às vezes deliberado) que sustenta muitas negativas.

O que dizem os tribunais sobre o antineoplásico oral

No plano dos tribunais superiores, o entendimento é firme. O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência consolidada da Segunda Seção no sentido de que é abusiva a recusa de cobertura de antineoplásico oral de uso domiciliar prescrito pelo médico assistente, ainda que fora do rol da ANS, sendo irrelevante a discussão sobre a taxatividade do rol quando o contrato cobre a doença. Como o ribociclibe é exatamente um antineoplásico oral, esse entendimento se aplica diretamente ao caso. No mesmo sentido, o Tribunal de Justiça de São Paulo mantém as Súmulas 95 (próteses e materiais ligados a procedimento coberto), 96 (é abusiva a limitação de sessões de quimioterapia e radioterapia) e 105 (não prevalece a negativa de medicamento imprescindível ao tratamento), todas vigentes e todas favoráveis ao paciente oncológico. A leitura de tudo isso passou a ser orientada pela ADI 7.265/STF, e a proteção do beneficiário permanece firme.

Ribociclibe, palbociclibe e abemaciclibe: mesma classe, mesma cobertura

É comum a paciente comparar os três inibidores de CDK4/6 disponíveis no Brasil: o ribociclibe (Kisqali), o palbociclibe (Ibrance) e o abemaciclibe (Verzenio). Do ponto de vista clínico, a escolha entre eles é do oncologista, conforme o perfil do tumor, as combinações endócrinas e a tolerância de cada paciente. Do ponto de vista jurídico, a lógica de cobertura é equivalente: todos são antineoplásicos orais registrados na Anvisa, indicados para o câncer de mama HR+/HER2-, e todos atraem a mesma proteção da ADI 7.265/STF e do §13 do art. 10 da Lei 9.656/98. Para o comparativo de preço e cobertura, veja as análises do escritório sobre Ibrance (palbociclibe) e Verzenio (abemaciclibe).

Como garantir a cobertura se o plano negar

Se o plano de saúde negou o ribociclibe, o caminho é conhecido e costuma ser rápido. O primeiro passo é exigir a negativa por escrito (carta, e-mail, protocolo ou print do aplicativo): é peça essencial. Em paralelo, guarde a prescrição e o relatório do oncologista, o coração do pedido, e as notas fiscais de qualquer caixa que tenha precisado comprar do próprio bolso, que depois viram pedido de reembolso.

Linha do tempo do pedido de liminar (tutela de urgência, CPC art. 300) Sequência em quatro etapas: negativa do plano de saúde; reunião dos documentos que demonstram a probabilidade do direito e o perigo de dano; protocolo do pedido de tutela de urgência com base no artigo 300 do CPC; e decisão judicial, em regra em 24 a 72 horas úteis. A base é o rol taxativo mitigado da ANS, fixado pela ADI 7.265 do STF, com cinco critérios cumulativos. TUTELA DE URGÊNCIA — CPC ART. 300 1 Negativa Recusa do plano, de preferência por escrito 2 Reunir documentos Laudo e prescrição médica, contrato e a própria negativa 3 Protocolo Tutela de urgência: probabilidade do direito e perigo de dano 4 Decisão Em regra em 24 a 72h úteis ponto de partida preparação da prova ação judicial resposta do juízo Base: rol taxativo mitigado da ANS (ADI 7.265/STF, 18/09/2025) — cobertura fora do rol exige os 5 critérios cumulativos. Prazos variam conforme a vara.
As quatro etapas do pedido de tutela de urgência para obrigar o plano a custear o medicamento.

Com esses documentos, é possível ajuizar ação com pedido de tutela de urgência (art. 300 do CPC). Quando a inicial é bem montada, a liminar costuma sair em 24 a 72 horas úteis, obrigando a operadora a custear o medicamento de imediato, antes do julgamento do mérito. Em oncologia, esse prazo é decisivo: a tutela de urgência existe exatamente para o tratamento não parar enquanto o processo corre. A ação pode ser proposta no foro do domicílio do paciente, o que dispensa litigar na cidade-sede da operadora. Para a moldura geral, valem o pilar sobre planos de saúde e câncer e o hub de direitos do paciente oncológico.

Diagnóstico orientativo: qual é o seu caminho

O componente abaixo indica, em três perguntas, o caminho provável do seu caso e traz um checklist dos documentos essenciais para marcar o que já está em mãos. Nada é enviado nem armazenado.

DIAGNÓSTICO ORIENTATIVO

Plano negou o ribociclibe (Kisqali)? Descubra o caminho

Três perguntas rápidas indicam o direito provável e o próximo passo. Nada é enviado nem armazenado.

1. Existe prescrição médica do ribociclibe?

O oncologista assistente indicou por escrito o Kisqali (ribociclibe), com justificativa clínica.


Checklist de documentos para o pedido de liminar

Reunir esses itens acelera a petição. Marque o que já tiver em mãos.

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Conteúdo meramente informativo, sem coleta de dados: nada digitado ou marcado é enviado ou armazenado. Não substitui a análise de um advogado sobre o caso concreto. Responsável técnico: Dr. Luiggi Maciel, OAB/SP 513.090 — Belisário Maciel Advogados.

Perguntas frequentes sobre o Kisqali (ribociclibe)

Para que serve o ribociclibe (Kisqali)?

O ribociclibe é uma terapia-alvo oral indicada para o câncer de mama com receptores hormonais positivos e HER2 negativo (HR+/HER2-). É usado no câncer de mama inicial e no câncer de mama avançado ou metastático, sempre em combinação com terapia endócrina — um inibidor de aromatase ou fulvestranto —, e, em mulheres na pré-menopausa, com supressão ovariana. A definição do esquema é do oncologista assistente.

Qual é o preço do Kisqali (ribociclibe)?

Pela tabela CMED atualizada em abril de 2026, com ICMS de 18% (São Paulo), o Preço Máximo ao Consumidor é de aproximadamente R$ 9.636 na caixa de 21 comprimidos de 200 mg e R$ 28.908 na caixa de 63 comprimidos de 200 mg. Como a dose usual é de 600 mg por dia por 21 dias, um ciclo mensal consome uma caixa de 63 comprimidos, o que coloca o custo de referência na ordem de dezenas de milhares de reais por mês. São preços-teto de tabela; a farmácia pode praticar valor menor.

Qual é a dose usual do ribociclibe?

Conforme a bula, a dose usual do ribociclibe é de 600 mg por dia — três comprimidos de 200 mg, uma vez ao dia —, nos dias 1 a 21 de um ciclo de 28 dias, com 7 dias de pausa. A dose pode ser reduzida pelo oncologista para 400 mg ou 200 mg por dia em caso de toxicidade. A definição da dose é sempre do médico assistente.

Ribociclibe é o mesmo que Kisqali?

Sim. Ribociclibe é o princípio ativo (na forma de succinato de ribociclibe); Kisqali é o nome comercial do medicamento no Brasil, da Novartis. São a mesma coisa. Na prática, paciente e médico costumam usar os dois nomes de forma intercambiável.

Ribociclibe é quimioterapia?

Não. O ribociclibe é uma terapia-alvo, um inibidor das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6), que bloqueia um mecanismo específico da célula tumoral. É diferente da quimioterapia citotóxica clássica, que age de forma inespecífica. Para fins de cobertura pelo plano de saúde, no entanto, tanto o antineoplásico oral por quimioterapia quanto por terapia-alvo têm cobertura obrigatória quando prescritos para tratar o câncer.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o ribociclibe?

Em regra, sim. Quando há prescrição do oncologista para o tratamento do câncer de mama, o plano é obrigado a custear o ribociclibe, e a recusa costuma ser abusiva. A base é o rol taxativo mitigado fixado pela ADI 7.265 do STF e o parágrafo 13 do art. 10 da Lei 9.656/98: presentes os cinco critérios do STF (prescrição fundamentada, registro na Anvisa, entre outros), a cobertura é obrigatória mesmo fora do rol. O STJ tem jurisprudência consolidada da Segunda Seção de que é abusiva a recusa de antineoplásico oral prescrito pelo médico assistente.

O plano pode negar por ser medicamento oral de uso em casa?

Não se sustenta. O antineoplásico oral para tratamento do câncer tem cobertura obrigatória assegurada em lei, distinta da exclusão genérica de medicamento de uso domiciliar comum. O ribociclibe é antineoplásico oral, e a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que é abusiva a recusa de cobertura desses medicamentos quando prescritos pelo oncologista assistente.

O ribociclibe está disponível pelo SUS?

O ribociclibe foi objeto de avaliação da CONITEC, com dossiê para o câncer de mama, mas não há incorporação ao SUS confirmada para uso geral no câncer de mama até o fechamento deste texto. O acesso pela via pública, quando ocorre, costuma passar pela judicialização contra o ente público. Para quem tem plano de saúde privado, o ponto central é a obrigação da operadora de custear o medicamento prescrito, com base na ADI 7.265/STF e no §13 do art. 10 da Lei 9.656/98.

O que significa dizer que o ribociclibe é um inibidor de CDK4/6?

As quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6) são proteínas que controlam a passagem da célula pelo ciclo de divisão. Nos tumores de mama sensíveis a hormônios, elas ficam hiperativas e a célula tumoral se multiplica sem controle. O ribociclibe inibe essas quinases, travando o ciclo celular na transição da fase G1 para a fase S e interrompendo a proliferação do tumor. É esse mecanismo que classifica o medicamento como terapia-alvo.

Já comprei caixas de Kisqali do meu bolso. Consigo reembolso?

Sim. O pedido de ressarcimento dos valores já pagos é cumulável, na mesma ação, com a obrigação de o plano custear as caixas seguintes. O que sustenta o reembolso são as notas fiscais e os comprovantes de pagamento. Sobre os valores a restituir incidem correção monetária e juros a contar do desembolso.

Qual a diferença entre ribociclibe, palbociclibe (Ibrance) e abemaciclibe (Verzenio)?

Os três são inibidores de CDK4/6, da mesma classe, indicados para o câncer de mama HR+/HER2-. As diferenças estão no perfil de efeitos, nas combinações endócrinas e na posologia — a escolha clínica é do oncologista. Do ponto de vista da cobertura pelo plano de saúde, a lógica é equivalente: todos são antineoplásicos orais registrados na Anvisa e atraem a mesma proteção da ADI 7.265/STF e da Lei 9.656/98.

Quanto tempo demora para o plano ser obrigado a fornecer o medicamento?

Quando o plano nega e a ação é ajuizada com documentação completa, o pedido de tutela de urgência (art. 300 do CPC) costuma ser decidido em 24 a 72 horas úteis. Deferida a liminar, a operadora é obrigada a fornecer o ribociclibe de imediato, antes do julgamento do mérito. Em oncologia, esse prazo curto é essencial para o tratamento não parar.

Sobre o autor

Sócio-fundador do Belisário Maciel Advogados, escritório com atuação exclusiva em Direito Médico e da Saúde. Atua na defesa de pacientes diante de negativas de cobertura de planos de saúde, judicialização da saúde, erro médico e responsabilidade civil em saúde, com foco em casos de oncologia, doenças crônicas, neurodesenvolvimento, cirurgias e dispositivos médicos de alta complexidade.

Referências oficiais consultadas

  • Anvisa — Bula do Kisqali (ribociclibe) e registro do medicamento (aprovação de 30/07/2018): gov.br/anvisa
  • CMED/Anvisa — Lista de Preços de Medicamentos (arquivo PMC), atualização de 24/04/2026: gov.br/anvisa (assuntos/medicamentos/cmed/precos)
  • CONITEC — Dossiê de avaliação do ribociclibe (Kisqali) para câncer de mama: gov.br/conitec
  • Lei 9.656/98 (arts. 10 e 12) e Lei 14.454/2022 (§13 do art. 10): planalto.gov.br
  • CDC (arts. 6º III, 51 IV e 101 I) e CPC (art. 300): planalto.gov.br
  • STF — ADI 7.265 (Pleno, 18/09/2025, rel. Min. Barroso): portal.stf.jus.br
  • Súmulas 95, 96 e 105 do TJSP (vigentes). Súmulas 100 e 102 do TJSP revogadas em 10/09/2025
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