A recusa de cirurgia indicada pelo médico assistente pode ser ilegal. Entenda como funcionam essas negativas e em quais situações é possível buscar a liberação do procedimento.
A negativa de cirurgia pelo plano de saúde é uma das situações mais sensíveis enfrentadas pelos pacientes, especialmente quando o procedimento é essencial para evitar o agravamento da doença ou para garantir a recuperação adequada. Em muitos casos, os planos alegam que a cirurgia não está no rol da ANS, é “experimental”, possui alternativas mais baratas ou depende de avaliação da junta médica — justificativas que nem sempre são válidas diante da indicação clínica. Cada negativa deve ser analisada de forma cuidadosa, considerando a necessidade médica, o contrato e as normas da saúde suplementar.
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Quando a negativa de cirurgia pelo plano de saúde é ilegal?
A recusa de cirurgia pode ser considerada abusiva quando o plano de saúde apresenta justificativas que não encontram respaldo legal ou médico. A Lei nº 9.656/98 e as normas da ANS estabelecem obrigações específicas para as operadoras, especialmente quando há indicação expressa do médico assistente. A seguir, estão as situações mais comuns em que a negativa é considerada indevida:
Quando a cirurgia é indicada pelo médico assistente
A indicação do profissional que acompanha o paciente tem peso decisivo. Quando o médico considera o procedimento necessário para o tratamento, o plano não pode substituí-lo por outro não equivalente ou impor limitações que comprometam o resultado clínico.
Quando o plano usa o Rol da ANS como justificativa absoluta
Apesar de o Rol de Procedimentos da ANS ser referência mínima, ele não pode excluir tratamentos essenciais ao paciente. A jurisprudência é firme no sentido de que o rol não é taxativo para impedir cirurgias recomendadas e indispensáveis.
Quando a negativa se baseia em “procedimento experimental” sem fundamento técnico
Planos usam essa justificativa com frequência, mas nem sempre ela é válida. Quando há consenso médico, literatura científica e indicação clínica, a cirurgia pode ser considerada adequada mesmo se o plano a classificar como “experimental”.
Quando há urgência e a recusa coloca o paciente em risco
Nos casos de emergência médica, a operadora deve garantir atendimento imediato. Recusas baseadas em prazo de carência, perícia interna ou autorização pendente podem ser ilegais quando há risco de agravamento do quadro.
Quando o plano exige junta médica sem justificativa
A operadora pode solicitar junta médica, mas não pode usá-la como forma de atrasar ou impedir o tratamento. A avaliação deve ser rápida e não pode contrariar sem fundamento a indicação do médico do paciente.
Por que os planos de saúde negam cirurgias?
A recusa de uma cirurgia indicada pelo médico é um momento de grande insegurança para qualquer paciente. Em geral, a decisão não envolve apenas um procedimento eletivo, mas sim um tratamento essencial para preservar a saúde, reduzir dores, evitar complicações ou impedir o agravamento da doença. A negativa costuma ocorrer em situações nas quais o tempo é um fator decisivo, e a falta de autorização pode prolongar o sofrimento, causar piora no quadro clínico e gerar riscos que poderiam ser evitados com a realização imediata do procedimento. Por isso, compreender como essas negativas acontecem e quais são os direitos do paciente é fundamental para agir com segurança.
Cada negativa de cirurgia envolve aspectos médicos, técnicos, contratuais e regulatórios. Muitos pacientes acreditam que a palavra final é sempre do plano, mas a legislação da saúde suplementar estabelece regras claras sobre quando a operadora pode recusar um procedimento e quando é obrigada a autorizá-lo. Entender os fundamentos da recusa ajuda o paciente a identificar se houve abuso, reunir os documentos corretos e buscar a solução mais adequada. Esse conhecimento também evita atrasos na realização da cirurgia, reduz riscos e permite que a decisão seja contestada de forma responsável e embasada.
Uma prática comum
A negativa de cirurgia é uma prática comum entre operadoras de planos de saúde, geralmente motivada por critérios administrativos, financeiros ou interpretativos. Embora as empresas afirmem seguir normas internas e o Rol da ANS, muitas recusas não levam em consideração a real necessidade clínica do paciente. Por isso, é fundamental diferenciar situações em que a recusa é legítima daquelas em que ela viola normas legais e regulatórias. A análise técnica do caso — especialmente da indicação médica — é o ponto central para entender se a negativa foi correta ou abusiva.
A importância da indicação do médico assistente
A recomendação do médico que acompanha o paciente tem peso determinante na obrigatoriedade de cobertura. Esse profissional é quem conhece o histórico clínico, o estágio da doença, os riscos e as melhores alternativas terapêuticas. Quando a cirurgia é prescrita por ele, a operadora não pode simplesmente substituí-la por alternativas menos adequadas ou menos eficazes. Na jurisprudência, a indicação médica costuma prevalecer sobre pareceres administrativos ou avaliações internas da operadora.
Como funciona a análise da operadora e por que ela pode ser contestada
Os planos possuem equipes técnicas próprias e, em alguns casos, recorrem à junta médica para revisar a indicação do médico assistente. Embora esse procedimento seja permitido, ele deve ser realizado com rapidez, imparcialidade e fundamentação adequada. Quando a análise interna ignora evidências clínicas, desconsidera exames ou atrasa o procedimento sem justificativa, o paciente pode questionar a decisão. A recusa que compromete o tratamento, principalmente em casos graves, tende a ser vista como ilegal.
O impacto da negativa na saúde e por que a urgência muda o cenário
Muitas cirurgias negadas são essenciais para evitar agravamento do quadro clínico ou sequelas permanentes. Por isso, a urgência tem um papel central na análise jurídica. Quando há risco imediato à saúde, a operadora deve garantir a cobertura independentemente de questões contratuais, carência ou burocracia interna. A legislação ampara o paciente em situações de emergência, e a recusa indevida pode gerar responsabilização. Entender a gravidade do caso ajuda a definir a melhor estratégia para contestar a negativa de forma eficaz e rápida.
Direitos do paciente quando a cirurgia é negada pelo plano de saúde
Quando o plano de saúde recusa uma cirurgia indicada pelo médico assistente, o paciente possui uma série de direitos garantidos pela legislação da saúde suplementar. Esses direitos existem para assegurar transparência, segurança e continuidade do tratamento, especialmente nos casos em que a demora pode trazer prejuízos à saúde.
São direitos do paciente:
Direito de receber a justificativa da negativa por escrito
A operadora é obrigada a fornecer a razão da recusa de forma clara, detalhada e documentada. A justificativa não pode ser genérica e deve indicar os fundamentos técnicos ou contratuais da decisão. Isso ajuda o paciente a compreender o que motivou a negativa e permite avaliar se houve abuso.
Direito de acesso ao prontuário e aos documentos médicos
O paciente pode solicitar cópia integral do prontuário, exames, laudos e relatórios emitidos durante o atendimento. Esses documentos são essenciais para entender o quadro clínico, a real necessidade do procedimento e para questionar a recusa, se necessário.
Direito a uma segunda opinião e avaliação técnica independente
Quando surgem dúvidas sobre a necessidade da cirurgia, o paciente pode buscar avaliação com outro profissional ou consultar especialistas. Essa análise independente ajuda a confirmar a indicação e fornece suporte técnico para contestar a negativa.
Direito de contestar a recusa e buscar autorização judicial em casos urgentes
Quando a negativa coloca o paciente em risco ou quando a cirurgia é essencial para evitar agravamento, é possível contestar a decisão e buscar autorização rápida. Em muitos casos, a Justiça determina a cobertura imediata, especialmente quando a documentação clínica comprova a urgência.
Como reunir documentos e contestar a negativa de cirurgia
Para entender se a recusa do plano é legítima ou abusiva, é fundamental reunir todos os documentos relacionados ao atendimento e ao procedimento indicado. Esses materiais permitem verificar o histórico clínico, a urgência do caso e os fundamentos utilizados pela operadora para negar a cirurgia. Com essas informações organizadas, é possível avaliar tecnicamente a recusa e, se necessário, contestá-la de forma adequada.
Relatório detalhado do médico assistente
Esse é o documento mais importante. Deve conter diagnóstico, indicação da cirurgia, justificativa técnica, riscos da não realização do procedimento e urgência (se aplicável). Quanto mais completo, melhor.
Exames e laudos que confirmem a necessidade do procedimento
Imagens, exames laboratoriais, pareceres de especialistas e avaliações pré-operatórias ajudam a demonstrar a indicação médica e a gravidade do caso.
Negativa do plano de saúde por escrito
A operadora é obrigada a fornecer a recusa por escrito, descrevendo os motivos da negativa. Esse documento é essencial para verificar se há fundamento técnico ou contratual e para contestar a decisão.
Cópia do contrato do plano e do comprovante de pagamento das mensalidades
Esses documentos ajudam a identificar a cobertura contratada, a rede disponível e eventuais limitações previstas. Também demonstram a regularidade do paciente com o plano.
Histórico de atendimentos e protocolos de contato com a operadora
Registros de ligações, e-mails e mensagens que comprovam a solicitação e a resposta do plano podem ser úteis para demonstrar atraso injustificado ou falta de clareza.
Quando contestar a negativa
Com os documentos reunidos, o paciente pode solicitar nova análise pela operadora, registrar reclamação na ANS ou, em casos urgentes, buscar autorização por via judicial. A avaliação técnica do caso é decisiva para definir o caminho mais adequado.
Diferença entre cirurgia negada, ausência de cobertura e procedimento considerado experimental
A recusa de cirurgia pelo plano de saúde pode ocorrer por diferentes razões, e compreender essas distinções é essencial para avaliar se a negativa é legítima ou abusiva. Em muitos casos, a operadora alega interpretações técnicas internas, como a existência de suposta alternativa terapêutica ou a necessidade de avaliação por junta médica. Embora essas análises sejam permitidas, elas não podem desconsiderar a indicação do médico assistente, principal responsável pelo acompanhamento do paciente. Quando a recusa contraria fundamentos clínicos ou atrasa o tratamento sem justificativa adequada, pode ser contestada.
Outro motivo frequente envolve a alegação de que o procedimento não está previsto no Rol da ANS. Entretanto, o Rol funciona como cobertura mínima, não como limite absoluto. A jurisprudência considera que, quando a cirurgia é essencial para o tratamento e possui respaldo médico e científico, a ausência no Rol não impede a cobertura. Da mesma forma, classificações de que o procedimento é “experimental” só são válidas quando realmente não existe consenso médico ou evidência científica que justifique sua realização. Muitas técnicas modernas ou minimamente invasivas são rotuladas como experimentais sem fundamento adequado.
Por outro lado, existem situações em que a negativa pode ser legítima, especialmente quando o procedimento não tem eficácia comprovada, não é indicado para o quadro clínico ou envolve riscos superiores aos benefícios. Nesses casos, a operadora deve apresentar justificativa detalhada e por escrito, permitindo que o paciente compreenda os motivos da decisão. A análise cuidadosa dos documentos médicos, da recomendação clínica e da fundamentação da operadora é o que permite identificar se a recusa se enquadra como válida ou se pode ser contestada de forma segura e responsável.
Direito médico
Atuação especializada em diversas frentes da saúde
Sabemos que cada situação envolve dúvidas e necessidades específicas. Por isso, reunimos abaixo outros serviços em Direito Médico que podem ajudar você ou sua família em diferentes etapas do atendimento em saúde.

Direito médico
Ação contra plano de saúde
Quando o plano nega exames, cirurgias, medicamentos ou internações, o paciente pode contestar judicialmente. Na maioria dos casos, essas negativas são ilegais e podem ser revertidas com urgência.

Direito médico
Cirurgias negadas pelo plano de saúde
Negativas de cirurgia acontecem mesmo com indicação médica expressa. A Justiça costuma garantir a autorização rápida — especialmente em casos urgentes ou quando o procedimento é essencial ao tratamento.

Direito médico
Medicamentos de alto custo / off-label
Planos frequentemente recusam remédios caros, contínuos ou off-label. A legislação e decisões recentes asseguram o fornecimento quando há recomendação médica e necessidade comprovada.

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Internações / UTI negada
Recusar internação, leito de UTI ou continuidade do tratamento coloca o paciente em risco e, na maioria dos casos, é ilegal. A Justiça determina a cobertura com rapidez diante de situações graves.

Direito médico
Home Care negado (internação domiciliar)
Mesmo indicado pelo médico, muitos planos recusam o home care. A Justiça reconhece o direito quando o atendimento domiciliar é essencial para evitar agravamentos e garantir segurança ao paciente.

Direito médico
Erro médico / indenização por falha médica
Falhas em diagnóstico, cirurgia, medicação ou atendimento podem gerar danos físicos ou emocionais. O paciente tem direito à reparação e à responsabilização do profissional ou da instituição de saúde.

“A recusa injustificada de um tratamento não é apenas um descumprimento contratual, mas uma violação ao direito fundamental à saúde. Nosso papel é orientar o paciente com clareza e fundamento técnico.”
Luiggi Maciel – Sócio
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